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O
novo ser humano contém toda a minha filosofia sobre a vida e sobre como
ela deveria ser — vivida em sua totalidade, intensamente,
integralmente, de modo que não nos arrastemos simplesmente do berço à
sepultura, mas possamos
fazer de cada momento uma grande alegria — uma canção, uma dança, uma celebração.
O ser humano obsoleto que existiu até agora está no seu leito de morte.
Ele já sofreu muito; precisa de toda a nossa compaixão. Ele foi
condicionado a viver infeliz, sofrendo, torturando a si mesmo.
Fizeram-lhe uma promessa: notas promissórias para obter grandes
recompensas depois da morte — quanto mais ele sofrer, mais se torturar,
mais masoquista for,
mais destruir a própria dignidade, mais será recompensado.
Esse era um conceito muito conveniente para todos os interesses escusos,
pois o homem que está pronto para sofrer pode ser facilmente
escravizado. O homem que está pronto para sacrificar o dia de hoje em
favor de um amanhã desconhecido já declarou sua
inclinação para ser escravizado. O futuro se torna seu cativeiro.
E durante milhares de anos, o ser humano viveu só de esperança,
imaginando, tecendo sonhos, criando utopias, mas não a realidade. E
não existe outra vida que não seja a vida desta realidade, a vida que existe neste momento.
O novo homem é uma rebelião, uma revolta, uma
revolução contra todos os condicionamentos
que podem escravizá-lo, oprimi-lo, explorá-lo, dar a ele apenas
esperança num céu fictício, amedrontá-lo, chantageá-lo com outro
fenômeno fictício: o inferno.
Todos os antigos modos de vida estavam estranhamente de acordo num
ponto: que o homem é um animal sacrificado no altar de um Deus fictício.
Houve ocasiões em que o homem
foi de fato sacrificado, estripado diante de estátuas de pedra.
Embora ninguém ouse fazer tal coisa nos dias de hoje, psicologicamente a situação não mudou.
O homem ainda é sacrificado
em nome do comunismo ou em nome do capitalismo ou em nome de urna raça
ariana, em nome do islamismo, em nome do cristianismo, em nome do
hinduísmo.
Em vez de deuses de pedra, agora existem apenas
palavras falsas, sem sentido. Mas o homem aceitou viver assim pela simples razão de que toda criança nasce em meio a uma
multidão que já está condicionada.
Os professores estão condicionados, os pais estão condicionados, os
vizinhos estão condicionados; e as crianças pequenas estão desamparadas —
elas
não conseguem imaginar uma alternativa que não seja fazer parte da multidão.
O ser humano antigo era uma multidão, um raio da roda; ele não tinha
individualidade. Os representantes de interesses particulares tomaram
todo cuidado para
destruir o autorrespeito, a dignidade, a alegria e a gratidão que sentimos por sermos seres humanos — a mais elevada criação num longo caminho de evolução... a glória suprema.
Essas ideias eram
perigosas.
Se um homem tem algum respeito por si, alguma dignidade como ser humano,
ele não pode ser reduzi-do a ser um escravo; você não pode destruir a
alma dele e torná-lo um robô.
Até hoje, o ser humano só fingiu viver — a vida dele
foi só hipotética.
O novo ser humano é uma revolta contra o passado. Ele é a declaração de que vamos
criar um novo modo de vida, novos valores de vida; de que estamos destinados a cumprir novas metas — estrelas distantes são o nosso alvo.
E não vamos deixar que ninguém nos sacrifique em prol de um nome bonito. Vamos viver nossa vida, não de acordo com ideais, mas
de acordo com os nossos próprios anseios, com as nossas próprias intuições apaixonadas.
E vamos viver um instante de cada vez; não vamos mais nos deixar
iludir pelo amanhã e pelas promessas para o amanhã. O novo ser humano contém todo o futuro da humanidade.
O ser humano antigo está condenado à morte. Ele preparou sua própria
sepultura — está cavando a cada dia, cada vez mais fundo. Armas
nucleares e todas as medidas destrutivas são uma preparação para o
suicídio global. O homem antigo decidiu morrer.
Cabe às pessoas inteligentes deste mundo
desligarem-se do homem antigo
antes que ele as destrua também... desligarem-se das antigas tradições,
das antigas religiões, das antigas nações, das antigas ideologias.
Pela primeira vez, o antigo não é mais valioso nem melhor. O antigo é o
cadáver putrefato de um passado vil. É uma grande responsabilidade para a
nova geração, para os jovens,
renunciar ao passado.
No passado, as religiões costumavam ensinar as pessoas a renunciar ao
mundo. Eu ensino você a amar o mundo, de modo que ele possa ser salvo, e
renunciar ao passado total e irrevogavelmente, interrompê-lo.
O novo ser humano não é um melhoramento do antigo; ele não é um fenômeno
contínuo, nem um aperfeiçoamento. O novo ser humano é a declaração de
morte do antigo e o nascimento de um ser humano totalmente novo —
não condicionado, sem nenhuma nação, sem nenhuma religião, sem nenhum preconceito de homem ou mulher, de branco ou de negro, de Oriente ou Ocidente, de Norte ou de Sul.
O novo homem é um
manifesto de uma única humanidade. É a maior revolução que o mundo já viu.
Você já ouviu falar do milagre de Moisés: dividir o oceano em duas
partes. Esse milagre não é nada. Eu quero dividir a humanidade, todo o
oceano da humanidade em duas partes:
o antigo e o novo.
O novo amará esta vida, este mundo. O novo aprenderá a arte de viver, de
amar e de morrer. O novo não se preocupará com céu e inferno, pecado e
virtude. O novo homem se preocupará em
aumentar as alegrias da vida, os prazeres da vida — mais flores, mais beleza, mais humanidade, mais compaixão.
E temos a capacidade e o potencial para
tornar esse planeta um paraíso,
e fazer desse momento o maior êxtase da nossa vida. Deixe o antigo
morrer, deixe o antigo ser liderado por pessoas como Ronald Reagan.
Deixe os cegos guiarem os cegos.
Mas aqueles que têm um espírito mais jovem — e quando eu digo "um
espírito mais jovem", isso inclui até os velhos que não são velhos em
espírito; e não inclui os jovens que não são jovens em espírito.
Os espiritualmente jovens serão o novo homem.
O novo homem não é uma esperança. Ele já foi concebido e está no útero
da humanidade. Minha tarefa é apenas tornar você consciente de que
o novo homem já chegou.
Minha tarefa é ajudar você a reconhecê-lo e a respeitá-lo. Você só tem
que espanar a poeira que se acumulou durante eras no espelho da sua
consciência.
O novo ser humano não é alguém vindo de outro planeta. O novo ser humano é
você renovado,
no silêncio do seu coração, nas profundezas da meditação, nos belos
espaços do amor, nas canções de alegria, nas danças de êxtase, no amor a
este planeta.
Nenhuma religião o ensina a
amar a Terra — e esta Terra é a sua mãe, e estas árvores são suas irmãs e estas estrelas são suas amigas.
Na minha visão,
você já está no caminho
para o novo ser humano. Já começou a jornada, embora não esteja ainda
totalmente desperto; mas quando você vir o antigo ser humano se
aproximando cada vez mais da própria sepultura, ficará fácil, para você,
renunciar aos seus modos de vida, suas igrejas, suas sinagogas, seus
templos, seus deuses, suas santas escrituras.
Suas santas escrituras são, na verdade, a sua vida inteira, e
ninguém mais pode escrevê-las — só você. Você nasce como um livro vazio e depende de você o que fazer com ele.
Nascer não é o mesmo que viver; é só uma
oportunidade que lhe dão para criar a vida... para criar uma vida tão bela, gloriosa e amorosa quanto você pode imaginar, quanto você pode sonhar.
Os sonhos do novo ser humano e a sua realidade serão uma coisa só,
porque os sonhos dele estarão enraizados aqui na Terra. Eles trarão
flores e frutos.
Não serão apenas sonhos — farão do mundo uma terra de sonho.
Perceba a responsabilidade. O ser humano nunca se viu diante de uma responsabilidade tão grande; a responsabilidade de
renunciar a todo o passado, a apagá-lo do seu ser.
Seja Adão e Eva outra vez e
deixe esta Terra ser o Jardim do Éden
e então nós veremos quem é Deus e quem tem coragem de tirar o ser
humano desse Jardim! Será o nosso jardim e, se Deus quiser ficar no
nosso jardim, Ele terá que bater na nossa porta.
Esta Terra pode ser um esplendor, uma magia, um milagre. Nossas mãos têm
esse toque — o que acontece é que nunca tentamos. O homem
nunca deu ao seu potencial uma chance
para crescer, para florir, para atingir a plenitude, o total
contentamento, para encher a Terra de flores, encher a Terra com sua
fragrância. Para mim essa fragrância é a divindade.
O novo ser humano não reverenciará um Deus como um criador do mundo; o novo ser humano
criará Deus como uma fragrância,
como beleza, como amor, como verdade. Até agora Deus tem sido o
criador; para o novo ser humano, o ser humano será o criador; e Deus vai
ser criado.
Podemos criar a divindade —
está em nossas mãos.
É por isso que eu digo que o novo ser humano é a maior revolução que já
aconteceu neste mundo. E não há meio de evitá-la, pois o ser humano
antigo está fadado à morte, determinado a cometer suicídio. Deixe que
ele morra em paz.
Aqueles que têm um espírito rebelde deveriam apenas
se ligar uns aos outros e eles seriam os salvadores, criariam uma nova Arca de Noé, começariam um novo mundo.
E porque conhecemos o velho mundo e suas misérias,
podemos evitar todas essas misérias; podemos evitar toda inveja, toda raiva, todas as guerras, todas as tendências destrutivas...
Podemos passar por uma
transformação total:
podemos criar pessoas inocentes, pessoas amorosas, pessoas que respiram
liberdade, pessoas que ajudam umas às outras a serem livres.
Podemos criar condições para que todos tenham dignidade, todos sejam
respeitados — não de acordo com alguns ideais e valores, mas pelo que a
pessoa é.
O novo ser humano será o sal da terra.
Osho, em "Transformando Crises em Oportunidades: O Grande Desafio Para Criar um Futuro Dourado Para a Humanidade"